A triologia Dragões de Éter!
* São livros brasileiros de ficção; Seu autor é Raphael Draccon que por sinal escreve muito bem.
É um livro diferente pra falar o mínimo. O autor construiu um mundo ao "redor" de outro nunca tão exposto. Reúne alguns contos como "Chapeuzinho Vermelho" e "João e Maria" contados de uma forma profunda e entrelaçada. Todos os personagens possuem suas próprias histórias (como estas citadas acima) mais fazem parte de uma coisa só. Deu pra entender?
De novo: Os personagens se misturam formando uma só história ao redor da deles.
Eu já estou no último.
São bastante generosos em relação à quantia de folhas mais vale a pena.
Um trechinho pra vocês:
"(...) Os portões rangeram quando os trincos se movimentaram. Havia dois guardas, seguidos por mais três. À frente de todos eles ia mais um, segurando alguns molhos de chaves suficientes para confundir um homem sóbrio, que ia abrindo outros portões barulhentos entre corredores claustrofóbicos e de pouca luminosidade. O homem entre os uniformizados deveria estar algemado nos pés. Mas não estava. Deveria estar algemado nos punhos. Mas não estava.
Era um homem alto na casa dos quarenta anos, com uma barba crescida no rosto e grandes olheiras abaixo dos olhos. Ainda assim, ele passava a impressão de manter algo que parecia um sorriso no rosto. Seus músculos estavam extremamentes doloridos, mas ele caminhava sem demonstrar. Seus ferimentos, principalmente nas costas, cortavam, e ainda assim ele se recusava a curvar sua postura mesmo que apenas um pouco. Os guardas que o acompanhavam passavam por momentos de conflito naquela última caminhada. Cada corredor, cada cela por onde eles passavam, emitiam o nome daquele prisioneiro. E eles deveriam inibir e silenciar aqueles gritos.
Mas não inibiram. Nem silenciaram.
Alguns dos próprios guardas tinham o nome daquele prisioneiro tatuado em alguma parte do tronco que o uniforme cobrisse. Outros haviam lido réplicas de algumas de suas oratórias. Os mais antigos já haviam contado alguns de seus feitos para a geração mais nova. Todos conheciam a história. E nenhum deles sabia dizer se seu coração queria combatê-lo ou se aliar à sua luta.
Ainda assim, eles caminhavam. Caminhavam ao lado dele; caminhavam com ele entre eles. Caminhavam em passos constantes na direção do último portão. Entregaram a ele, a apenas alguns passos antes do fim, uma sacola com alguns pertences com que ele ali havia chegado: somente uma muda de roupa e um cordão composto por uma ponta de flecha.
Ao fundo, ainda era possível escutar os aplausos dos prisioneiros. E os gritos do nome. Eles batiam nas grades; pisavam firme no chão. E, ainda que seus corpos permanecessem atrás daquelas grades, eles choravam. Porque seus espíritos iam livres, junto com aquele homem, cedidos por vontade própria.
Afinal, era isso que aquele homem era: um coletor de espíritos.
E quando o último portão foi aberto, e quando os primeiros passos para fora dali foram dados, muitos espíritos caminharam junto e se tornaram livres. Novamente livres. Porque espíritos vivem em ideais. E aquele homem representava o maior ideal para um ser humano.
Era por isso; era por isso que, quando ele partiu, atrás de si ainda se continuava a escutar os aplausos. E os choros. E os gritos.
Os gritos que o chamavam, e como se tocassem em seu ombro, e dissessem o nome.
Lockesley. "
Obs: Lockesley no livro é o Robin Rood. Sacaram?
Este trecho é do segundo livro (corações de neve) pág: 154-155.
